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PERITO DA PF PRODUZIU NOVOS PDFs A PARTIR DOS DADOS EXTRAÍDOS DO CELULAR DE VORCARO

O caso reforça a importância da assistência técnica na auditoria da prova digital

Uma recente investigação divulgada pela imprensa trouxe uma reflexão importante para quem atua com processo penal, perícia digital e defesa técnica.

Segundo a apuração noticiada, um perito da Polícia Federal teria produzido dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de conteúdos encontrados na extração do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

A distinção técnica é fundamental.

Pelo que foi divulgado, os arquivos em questão não seriam documentos originalmente encontrados prontos dentro do aparelho, mas sim documentos derivados, criados posteriormente a partir da seleção, organização e compilação de conteúdos extraídos do celular.

Essa diferença, embora possa parecer sutil para quem não atua na área, é extremamente relevante para a compreensão da prova digital.

Extração não é relatório final

Na prática pericial, é essencial diferenciar:

  • o arquivo original existente no dispositivo;
  • os dados extraídos por ferramenta forense;
  • a análise feita sobre esses dados;
  • e os documentos derivados posteriormente produzidos pelo analista.

Quando essa distinção não é observada com rigor, corre-se o risco de confundir o conteúdo original do aparelho com documentos posteriormente criados a partir dele.

Por que isso importa para a defesa

A prova digital não se resume ao conteúdo de uma mensagem, conversa ou arquivo.

Ela envolve também:

  • a forma de aquisição dos dados;
  • a ferramenta utilizada;
  • os metadados;
  • os logs de acesso;
  • os filtros empregados na análise;
  • a forma de exportação;
  • a cadeia de custódia;
  • e a rastreabilidade entre a fonte original e o documento apresentado.

Em outras palavras: entre a extração e o relatório final existe uma atuação humana de pesquisa, seleção, interpretação, recorte e organização.

É justamente nesse ponto que a assistência técnica da defesa se torna indispensável.

O papel do assistente técnico em provas digitais

O assistente técnico pode atuar para:

  • verificar a integridade da extração;
  • auditar a metodologia empregada;
  • analisar metadados e registros de acesso;
  • identificar a origem de documentos derivados;
  • confrontar relatório e base original;
  • apontar falhas na cadeia de custódia;
  • formular quesitos técnicos;
  • e produzir parecer independente.

Essa atuação não representa oposição automática à perícia oficial.

Ao contrário: representa o exercício do contraditório técnico, da ampla defesa e do controle de confiabilidade da prova digital.

Conclusão

O caso noticiado reforça uma premissa essencial do processo penal contemporâneo:

Toda prova digital que pode fundamentar uma acusação também precisa poder ser tecnicamente auditada pela defesa.

Sem contraditório técnico, a interpretação da prova pode ser indevidamente influenciada.

A assistência técnica em provas digitais não é um detalhe.
É uma necessidade estratégica de defesa.

Galdino Inteligência Digital

Auditoria de Provas Digitais | Cadeia de Custódia | Extração Mobile | Assistência Técnica

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